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Quando monitorar o sono pode atrapalhar mais do que ajudar

Vídeo de Marcio Atalla discute o efeito colateral de checar demais os dados do relógio inteligente sobre a própria noite de sono

Redação CityTudoRedação CityTudodo CityTudo

20 de agosto de 2026 · 3 min de leitura

Miniatura do vídeo sobre os riscos de monitorar demais a qualidade do sono

Relógios inteligentes e aplicativos de sono se popularizaram como ferramentas para entender melhor a própria noite de descanso, mas um vídeo do educador físico Marcio Atalla levanta um ponto que costuma passar despercebido: em algumas pessoas, esse monitoramento constante pode virar fonte de ansiedade em vez de instrumento de melhora. No vídeo, Atalla explica que o hábito de checar repetidamente dados como tempo de sono profundo, variação de frequência cardíaca e “pontuação de sono” pode, paradoxalmente, piorar a qualidade do descanso de quem se torna obcecado por esses números.

O fenômeno da ortossonia

Especialistas em medicina do sono já descreveram esse padrão de comportamento com o termo “ortossonia”, uma preocupação excessiva com a perfeição do sono que acaba gerando o efeito oposto ao desejado. Quando a pessoa acorda no meio da madrugada e sente o impulso de verificar imediatamente o relógio para saber “como está indo” a noite, ela interrompe o próprio processo de relaxamento necessário para voltar a dormir bem, criando um ciclo de vigilância que dificulta o sono profundo.

Por que os dados nem sempre contam a história completa

No vídeo, Atalla reforça que os dispositivos vestíveis, por mais avançados que sejam, ainda têm limitações técnicas na hora de medir com precisão os estágios do sono, já que dependem de estimativas baseadas em movimento e batimentos cardíacos, não de exames clínicos como a polissonografia. Isso significa que uma pontuação baixa em determinada noite nem sempre reflete de fato um sono ruim, mas pode gerar preocupação desproporcional em quem enxerga aquele número como verdade absoluta sobre a própria saúde.

O impacto psicológico da vigilância constante

Um dos pontos centrais levantados no vídeo é que a ansiedade gerada pela checagem excessiva pode se tornar mais prejudicial ao organismo do que a eventual variação natural na qualidade do sono. O corpo humano passa por noites melhores e piores como parte do funcionamento normal, e tentar controlar cada detalhe dessa variabilidade tende a gerar tensão, o que por sua vez dificulta ainda mais o relaxamento necessário para adormecer e permanecer dormindo.

Como usar a tecnologia sem virar refém dela

Segundo a abordagem apresentada por Atalla, a tecnologia de monitoramento pode ser útil quando usada com moderação, como uma referência geral de tendências ao longo de semanas, e não como um veredito diário sobre o valor da própria noite de sono. Evitar checar o dispositivo assim que se acorda, dar preferência a observar padrões ao longo do tempo em vez de números isolados e, principalmente, prestar atenção em como o corpo realmente se sente ao longo do dia, costumam ser recomendações mais úteis do que perseguir uma pontuação perfeita.

Sinais de que vale buscar ajuda profissional

Quando a preocupação com o sono passa a interferir na rotina, gera irritabilidade constante ou leva a mudanças de comportamento motivadas apenas pelos dados do aplicativo, pode ser hora de conversar com um profissional de saúde. Um médico do sono ou psicólogo consegue avaliar se existe realmente um distúrbio a ser tratado ou se o problema está mais ligado à ansiedade em torno do monitoramento do que ao sono em si. O equilíbrio, como em outras áreas da saúde, tende a estar em usar a informação como apoio, e não como fonte de controle excessivo sobre o próprio corpo.

Vídeo original de Marcio Atalla. Assista na íntegra no canal original.

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