Anvisa aprova primeiro genérico de caneta emagrecedora à base de semaglutida
Registro da EMS deve baratear o acesso a medicamentos como Ozempic e Wegovy no Brasil, mas uso continua exigindo receita médica em duas vias
Duda Nogueirado CityTudo18 de agosto de 2026 · 2 min de leitura

A Anvisa aprovou, em 17 de agosto, o primeiro genérico de uma caneta emagrecedora à base de semaglutida no Brasil. O registro foi concedido à farmacêutica EMS, que já detinha a patente do medicamento de referência, o Ozivy. Um produto similar, batizado de Semaclique, foi registrado pelo laboratório Germed, também ligado ao grupo EMS.
Como chegamos aqui
A EMS obteve o primeiro registro de semaglutida sintética do país em maio de 2026, com o Ozivy. Em 29 de julho, a Anvisa publicou no Diário Oficial da União o registro de mais cinco medicamentos com o mesmo princípio ativo: Zempneo (Brainfarma), Semavy (Cosmed), Orsema (Ranbaxy), Seemasun (Sun Farmacêutica) e Owozy (Ávita Care). Como a legislação brasileira não permite genéricos de produtos biológicos, esses cinco foram registrados como medicamentos novos, não como cópias, e nenhum deles pôde ser vendido de imediato, já que ainda dependiam da definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
A aprovação de agora é diferente: pela primeira vez, a Anvisa reconhece um genérico de verdade, o que na prática costuma significar concorrência de preço mais direta com a marca de referência.
O que muda para quem usa
Segundo a própria Anvisa, a expectativa é que a entrada de mais fabricantes amplie a concorrência, reduza o custo dos medicamentos e ajude a combater a venda irregular de produtos trazidos sem registro sanitário, inclusive do Paraguai. A diretora-presidente da agência já sinalizou que outras oito canetas emagrecedoras podem ser aprovadas até o fim de 2026.
Tecnicamente, o novo genérico segue as mesmas características do Ozivy: aplicação semanal, armazenamento sob refrigeração entre 2°C e 8°C, e apresentações de 1,5 ml ou 3 ml, com concentração de 1,34 mg/mL.
Receita continua obrigatória
A Anvisa reforça que a aprovação não muda as regras de prescrição. “Como todos os medicamentos do tipo GLP-1, a semaglutida sintética está sujeita à prescrição de receita médica em duas vias”, afirmou a agência. Especialistas seguem recomendando que o uso desses medicamentos, mesmo os mais baratos, aconteça apenas sob acompanhamento médico.

