CEO da Casas Bahia diz que fechamento de 298 lojas foi "onda única" e descarta novos cortes
Renato Franklin afirmou a analistas que a companhia concentrou todos os fechamentos de uma vez para acabar com a incerteza, e que o tamanho da rede agora é consequência, não objetivo
Marina Kesslerdo CityTudo17 de agosto de 2026 · 2 min de leitura

Uma semana depois de anunciar o pedido de recuperação judicial e o fechamento de 298 lojas, a Casas Bahia tentou encerrar as dúvidas sobre até onde vai o corte. Em teleconferência com analistas nesta segunda-feira, o CEO Renato Franklin foi direto: os fechamentos já anunciados foram uma “onda única” e não há plano para novas rodadas de encerramento de lojas.
“O tamanho é consequência, não é objetivo”
A frase resume a mudança de prioridade da companhia. Segundo Franklin, a decisão de concentrar as 298 fechações de uma só vez, e não em etapas, foi deliberada: “Optamos por fazer em uma onda única”, disse, justificando que espalhar os cortes ao longo do tempo prolongaria a incerteza para funcionários, fornecedores e para o próprio mercado.
Como as lojas fechadas foram escolhidas
O critério, segundo a empresa, foi objetivo: unidades com menor rentabilidade e pouca operação de crédito, o carro-chefe do modelo de negócio da varejista. As 298 lojas fechadas representam cerca de 30% da rede física, mas respondem por apenas 14% da receita total, o que na leitura da empresa comprova que o corte mirou peso morto, não faturamento relevante.
Os números por trás da decisão
No segundo trimestre, a receita da Casas Bahia cresceu 1,6% na comparação anual, com o volume bruto de mercadorias (GMV) somando R$ 10,5 bilhões. O Ebitda ajustado ficou em R$ 518 milhões, uma margem de 4,4%. Já o prejuízo líquido do período foi de R$ 10,117 bilhões, puxado majoritariamente por baixas contábeis extraordinárias ligadas à reestruturação. A recuperação judicial cobre uma dívida total de R$ 17,3 bilhões.
O plano daqui para frente
Além do fechamento das lojas, a companhia informou que está reduzindo operações do canal digital com custo elevado e cortando o CAPEX em quase 40%, buscando uma estrutura “autofinanciável”, ou seja, capaz de se sustentar sem depender de novas captações externas, algo que já tinha se mostrado difícil antes da crise se agravar.
Por que o mercado vai acompanhar de perto
A declaração de Franklin busca sinalizar estabilidade num momento em que a confiança de fornecedores e credores é o recurso mais escasso da companhia. Mas promessas de “onda única” costumam ser vistas com cautela pelo mercado justamente porque dependem da execução do restante do plano, cortes de custo, digital mais enxuto e Ebitda em recuperação, se sustentar nos próximos trimestres.


