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Creatina, whey e iogurte proteico: por que a busca por proteína virou febre no Brasil

Creatina cresceu 89% em volume de vendas e whey protein avançou 124%; entenda por que o brasileiro está mudando o carrinho de compras

Ricardo ShimanoRicardo Shimanodo CityTudo

17 de agosto de 2026 · 3 min de leitura

Shake de whey protein e pote de creatina em bancada de cozinha

Entre as mudanças de consumo mais marcantes do brasileiro em 2026 está a corrida por proteína. Levantamento da Scanntech em parceria com a consultoria McKinsey, que cruzou a pesquisa ConsumerWise da McKinsey com a análise de mais de 13,5 bilhões de tíquetes do varejo alimentar brasileiro entre janeiro e outubro de 2025, mostra que a creatina cresceu 89% em volume de vendas, o whey protein avançou 124% e o iogurte proteico teve alta de 16% no mesmo período, um movimento que já deixou de ser restrito à academia e passou a aparecer no carrinho de compras de famílias inteiras. Um levantamento separado da própria McKinsey sobre tendências do consumidor brasileiro aponta essa busca por proteína como um dos comportamentos de 2025 com maior chance de se manter em 2026.

De suplemento de atleta a item de mercado

O que antes era procurado quase exclusivamente por praticantes de musculação hoje aparece nas prateleiras de supermercados comuns, não só em lojas especializadas de suplemento. Fabricantes de alimentos tradicionais passaram a lançar versões “proteicas” de produtos já consolidados, do pão de forma ao biscoito, capturando um público que busca praticidade sem abrir mão do valor nutricional mais alto. Felipe Passarelli, head de inteligência de mercado da Scanntech, aponta que produtos antes vistos como nicho de academia ganharam protagonismo nas gôndolas justamente por essa migração para o consumidor comum de supermercado.

O que está por trás da mudança

Nutricionistas apontam alguns fatores para explicar o crescimento:

  • Maior acesso a informação sobre a importância da proteína na saciedade e na manutenção de massa muscular
  • Popularização de rotinas de treino de força, não só de exercícios aeróbicos
  • Interesse crescente por envelhecimento saudável, área em que a proteína tem papel central na prevenção da perda de massa muscular
  • Busca por alimentos que ajudem a controlar o apetite em meio à preocupação crescente com o excesso de açúcar na dieta

Pessoa preparando refeição saudável com vegetais frescos na cozinha A busca por proteína anda lado a lado com o interesse geral por alimentação mais equilibrada

Vale a pena consumir suplemento proteico?

Para nutricionistas, a resposta depende do objetivo e da dieta de cada pessoa: quem já consegue atingir a quantidade de proteína recomendada apenas com alimentos como carne, ovo, feijão e laticínios não necessariamente precisa de suplementação. O consumo costuma fazer mais sentido para quem tem rotina muito corrida, dificuldade de ingerir proteína suficiente pela alimentação tradicional, ou necessidades específicas orientadas por um profissional de saúde. A creatina, historicamente associada a atletas de alto rendimento, também vem sendo estudada por seu papel na saúde cognitiva e na manutenção de massa muscular ao longo do envelhecimento, o que ajuda a explicar por que o público que a consome hoje é bem mais amplo do que apenas frequentadores de academia.

Um mercado que deve continuar aquecido

Com a tendência de bem-estar seguindo forte entre os brasileiros, o próprio levantamento da Scanntech com a McKinsey projeta que essa mudança de comportamento observada ao longo de 2025 deve se intensificar em 2026, ampliando ainda mais a oferta de opções proteicas nas prateleiras dos supermercados do país. A entrada de grandes marcas de alimentos tradicionais nesse mercado, antes dominado por fabricantes especializados em suplementos, tende a baratear os preços e a popularizar ainda mais o consumo desses produtos entre famílias que não têm rotina de academia, mas buscam uma alimentação com mais proteína no dia a dia.

Fontes

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