Afastamentos por saúde mental caem 13,2% no primeiro semestre, mas ainda preocupam
Depois de 2025 bater recorde histórico de licenças por ansiedade e depressão, INSS registra primeiro sinal de desaceleração, mas números seguem entre os mais altos da série
Duda Nogueirado CityTudo19 de agosto de 2026 · 2 min de leitura

Depois de um 2025 marcado por número recorde de afastamentos do trabalho por transtornos mentais, os primeiros seis meses de 2026 trazem o primeiro sinal de desaceleração. Segundo levantamento com dados do INSS, foram 232.382 licenças concedidas por problemas de saúde mental entre janeiro e junho deste ano, uma queda de 13,2% frente às 267.690 registradas no mesmo período de 2025.
O tamanho do problema em 2025
Para entender a queda, é preciso olhar o ano anterior: em 2025, o Brasil concedeu mais de 546 mil benefícios por incapacidade temporária motivados por questões de saúde mental, alta de 15% sobre 2024, um recorde na série histórica do INSS e um dos principais fatores por trás do aumento geral de afastamentos do trabalho no país.
Ansiedade e depressão continuam no topo
Os diagnósticos que mais pesam nesses números seguem sendo os mesmos: ansiedade e depressão. Juntas, essas condições já ocupam a segunda posição entre as causas de afastamento no país, atrás apenas de doenças da coluna, um indicador de como o sofrimento psíquico deixou de ser um problema pontual para se tornar uma das principais causas estruturais de afastamento do trabalho no Brasil.
O custo para a Previdência
Além do impacto na vida de quem precisa se afastar, há um custo direto para os cofres públicos: estima-se que os gastos do INSS com afastamentos por saúde mental somem R$ 3,5 bilhões, considerando o período de recorde em 2025. É esse volume de gastos, somado à pressão sobre empresas que precisam repor a mão de obra afastada, que torna a leve queda registrada em 2026 uma notícia recebida com cautela, e não como sinal de que o problema foi resolvido.
Por que a queda ainda não é motivo para comemorar
Especialistas em saúde ocupacional apontam que uma retração de 13,2% em um único semestre não reverte uma tendência de anos de alta acumulada, e que ansiedade e depressão seguem entre as principais causas de afastamento do país mesmo com a desaceleração. O comportamento dos próximos semestres deve indicar se 2026 representa de fato uma mudança de rota ou apenas uma oscilação pontual dentro de uma curva que ainda está em patamar historicamente elevado.


