Iron Maiden em São Paulo: show para 50 mil fãs na noite da eleição
Banda tocou no Nubank Parque enquanto o segundo turno era apurado, resgatou "Infinite Dreams" e "Rime of the Ancient Mariner" e estreou telão digital na turnê dos 50 anos
26 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

O Iron Maiden em São Paulo transformou a noite de domingo (25) em uma das mais curiosas da história recente dos shows no país. A banda subiu ao palco do Nubank Parque às 20h50, com cerca de 50 mil pessoas na plateia, enquanto o Brasil ainda acompanhava a apuração do segundo turno da eleição presidencial. Foi o primeiro de dois shows na capital paulista dentro da turnê “Run for Your Lives”, que celebra os 50 anos de carreira do grupo.
A política não ficou do lado de fora do estádio, e o repertório trouxe raridades que os fãs mais antigos esperavam havia anos.
Show esgotado e eleição na mesma noite
Segundo a CNN Brasil, os ingressos para o show de 25 de outubro estavam esgotados, e o Alter Bridge entrava às 19h10, seguido pelo Iron Maiden às 20h50. A classificação era de 16 anos para quem entrava desacompanhado. O Terra acrescenta que os 50 mil fãs esgotaram os ingressos muito antes de se darem conta de que o show cairia no dia do segundo turno.
A coincidência pesou no clima do estádio. A crítica da Rolling Stone Brasil, republicada pelo Terra, conta que por volta das 21h10 o Tribunal Superior Eleitoral considerou Luiz Inácio Lula da Silva reeleito, num resultado apertado e com virada ao longo da noite. Naquele momento, o Iron Maiden estava nas primeiras músicas. O texto registra que havia mais gente do que o normal olhando o celular antes do início, mas que não houve “qualquer episódio notório”, ao menos na pista premium, de briga ou discussão acalorada.
A resenha da Folha de S.Paulo descreve a mesma cena por outro ângulo. O repórter Felipe Maia abre o texto com a frase “À tarde, o Brasil viveu a maior eleição da sua história. À noite, Iron Maiden” e lembra que a relação da banda com o país sempre correu em paralelo com a política nacional. A primeira passagem do grupo foi no Rock in Rio de 11 de janeiro de 1985, quatro dias antes de o colégio eleitoral escolher o presidente em meio ao movimento das Diretas Já. Desde então foram 16 passagens pelo Brasil. Durante o show deste domingo, segundo a Folha, os gritos de “olê olê Maiden” se misturavam a “Lula” e a mãos em L na plateia.
O repertório da turnê dos 50 anos
A turnê revisita os nove primeiros álbuns de estúdio da banda, com exceção de “No Prayer for the Dying” (1990), de acordo com o Terra. O início do show foi dedicado à era Paul Di’Anno, com “Murders in the Rue Morgue”, “Wrathchild” e “Killers”, esta última com a primeira aparição do mascote Eddie no palco.
A crítica da Rolling Stone aponta que o grupo demorou a engrenar. Em “Murders in the Rue Morgue” já se notava uma execução ligeiramente mais lenta que a gravação de estúdio, e Bruce Dickinson ainda buscava a melhor versão vocal. A virada veio com “Phantom of the Opera”, que a Folha registra como primeira execução da música em um show da banda no Brasil desde 2014. Na sequência, “The Number of the Beast” teve pirotecnia pesada e um solo com pedal wah de Adrian Smith. Para o Terra, ali Dickinson “enterrou qualquer eventual preocupação” com sua performance, aos 68 anos e uma década depois de superar um câncer na língua.
Outras faixas citadas pelas duas resenhas:
- “Infinite Dreams”: sexta música do set, resgatada recentemente depois de 38 anos fora das turnês. A Folha a trata como inédita nos palcos brasileiros.
- “Powerslave”: Dickinson usou uma máscara e, para o Terra, a faixa rendeu um dos momentos de destaque da noite.
- “Rime of the Ancient Mariner”: o épico de 13 minutos voltou aos shows desta turnê depois de quase dez anos fora, segundo a Folha.
- “The Trooper”: acompanhada pelo coro do público, com um boneco de Eddie em cima de uma perna de pau.
- “Hallowed Be Thy Name”: Dickinson empunhou uma forca enquanto Dave Murray tocava os riffs.
- Bis: “Fear of the Dark” e “Wasted Years”, com o vocalista vestido de Médico da Peste.
Telão digital, cachaça e a fala de Dickinson sobre sonhos
Segundo o Terra, “Run for Your Lives” é a primeira turnê em que o Iron Maiden usa um grande telão digital ao fundo, no lugar dos cenários pintados que marcaram a banda por décadas. Em “Powerslave”, Eddie apareceu como faraó sob diferentes climas. Em “Rime of the Ancient Mariner”, as imagens acompanharam a longa passagem instrumental quase como uma narrativa de cinema.
Antes de “Rime”, Dickinson anunciou que era hora da cachaça, bebeu e descobriu que o copo tinha água. “Oh, f*ck, é água”, reagiu, e emendou a brincadeira de que beber cachaça demais poderia fazer alguém enxergar um albatroz no céu. A piada tem conexão direta com a letra, que adapta o poema de Samuel Taylor Coleridge sobre um marinheiro que mata um albatroz sem motivo e desencadeia uma maldição.
O vocalista também falou com a plateia sobre o país. Na Folha, a frase registrada foi: “Esperamos 50 anos para chegar a esse ponto, e o Brasil sempre foi próximo aos nossos corações”. O Terra anota outra fala, antes de “Infinite Dreams”: “no Brasil, esse país incrível, todos precisam poder ter sonhos”. O Terra descreve a fala como espontânea e coerente com o momento de eleições. Em outro trecho, a crítica conta que, ao dizer que o Brasil tem um lugar especial no coração da banda, Dickinson recebeu um grito coletivo do próprio nome e precisou interromper o discurso, sorrindo.
O que a crítica diz sobre a forma da banda
As avaliações não são unânimes sobre o ritmo. A crítica do Terra afirma que a banda tocou abaixo da velocidade original nas primeiras músicas, sem queda técnica do trio de guitarras formado por Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers, e com Steve Harris “um poço de energia” no baixo. O baterista Simon Dawson, que substituiu Nicko McBrain depois da aposentadoria dele dos palcos no fim de 2024, é descrito como correto, sem o virtuosismo do antecessor, mas tocando no andamento pedido pelos colegas. A Folha também menciona Dawson como “o novato da banda” e destaca a bateria cadenciada em “The Trooper”.
No fechamento, a crítica do Terra é direta: depois de mais de 50 anos, “está nítido que não chegou a hora” de a banda se aposentar. A abertura do Alter Bridge, com oito músicas entre 19h10 e pouco depois das 20h, teve recepção mais morna. O texto atribui isso ao estilo contido do vocalista Myles Kennedy e à plateia ainda dispersa, que foi sendo conquistada por “Metalingus”, “Blackbird” e “Isolation” no fim do set.
Próximos shows
O Iron Maiden volta ao Nubank Parque na terça-feira (27), com os mesmos horários: Alter Bridge às 19h10 e Iron Maiden às 20h50. A turnê brasileira se encerra na quarta (28) em Curitiba, na Arena da Baixada, também com abertura do Alter Bridge. As vendas passam pela Livepass, segundo a CNN Brasil.
Fontes
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