Eric Dane conta em livro póstumo cinco passagens por reabilitação
Em "My Book of Days", o ator de Grey's Anatomy descreve o uso de crack e heroína, a recaída durante a série e como foi a saída do elenco
20 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Trechos das memórias póstumas de Eric Dane, o Mark Sloan de Grey’s Anatomy, começaram a circular nesta semana e chamaram atenção pela franqueza. No livro “My Book of Days”, o ator, que morreu em fevereiro deste ano, descreve um período de uso pesado de drogas, as recaídas durante os anos de série e a conversa em que soube que não voltaria ao elenco. O material foi antecipado pela revista People, que publicou um trecho em 18 de outubro, e ganhou eco na imprensa brasileira e internacional nos dias seguintes.
A obra chega às livrarias americanas em 3 de novembro. É assim que o ator, que tinha 53 anos quando morreu, escolheu contar a própria história: sem poupar o que não o favorece.
“Não existe droga que eu não tenha experimentado”
Segundo a CNN Brasil, Eric Dane diz ter usado “todas as drogas imagináveis” e escreve, num dos trechos: “Acho que não existe droga que eu não tenha experimentado”. Ele chama esse período de “período sombrio”, vivido quando estava na casa dos 20 anos, antes de ser escalado para Grey’s Anatomy.
A lista que ele apresenta é longa. Há álcool, maconha, LSD, cocaína, cogumelos, mescalina e metanfetamina, além de heroína e crack. O ator conta que chegou a injetar heroína. Também aparecem analgésicos como Vicodin, Percocet e OxyContin, benzodiazepínicos como Xanax e Valium, relaxantes musculares e estimulantes como Adderall e Ritalina. Outro veículo que acompanhou a divulgação, o Unilad, resumiu o trecho como a lista de “tudo o que ele tentou” nessa fase.
O vício não ficou para trás quando o papel apareceu. De acordo com a CNN Brasil, o uso continuou por algumas temporadas depois de ele já integrar o elenco regular da série médica. Dane afirma que tinha uma regra, a de não trabalhar drogado, mas admite que nem sempre conseguiu cumpri-la. Ele descreve os colegas de elenco olhando para ele com preocupação e tristeza, sem julgamento: “Parecem preocupados. Parecem tristes.”
A recaída de 2008 e as cinco internações
O livro situa uma recaída por volta de 2008, quando o ator estava no auge da fama. Conforme o resumo do trecho publicado pelo Yahoo, a volta ao uso de analgésicos veio depois de uma hérnia de disco cervical sofrida durante um treino. A recaída é o centro do relato sobre esses anos.
Dane diz ter passado cinco vezes por clínicas de reabilitação enquanto fazia parte de Grey’s Anatomy. O site The Blast registra o número no título da reportagem sobre o trecho. Uma dessas internações aconteceu num intervalo das gravações. A criadora da série, Shonda Rhimes, o chamou em particular mais de uma vez para dizer que cuidaria dele caso precisasse de uma pausa.
O ator também escreve sobre o corpo. Ele conta que chegou a pesar 170 libras, cerca de 77 quilos, e que ficava calado nos sets. Em outro trecho citado pela imprensa americana, ele afirma que seu rosto “desabava” no auge do problema, imagem que o Yahoo usou como título de uma das matérias sobre o livro.
Por que saiu de Grey’s Anatomy
A parte que mais mexeu com fãs da série é a explicação para a saída. Segundo o San Francisco Chronicle, Dane escreve que o motivo foi dinheiro, e não o vício. Ele conta que Shonda Rhimes avisou, perto do fim da oitava temporada, em 2012, que ele não voltaria para a seguinte.
O ator reconhece que a dependência “não ajudou” a posição dele na produção, mas sustenta que a decisão foi financeira. Em reportagem anterior da Fox News, ele já dizia não culpar a série por tê-lo demitido durante o período de dependência.
ELA, família e a última fase
O livro é também um registro da doença. Eric Dane tornou público em 2025 o diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica, a ELA, e passou a receber cuidados de enfermagem 24 horas por dia, conforme a CNN Brasil. Em dezembro de 2025, fez a última aparição pública, num painel virtual da organização I AM ALS, no qual descreveu a convivência com a doença como “horrível”.
Um dos episódios mais duros do livro envolve a filha, Georgia. Depois do diagnóstico, o ator entrou na água para nadar e percebeu que não conseguia mais. Georgia, então com 14 anos, e uma amiga o socorreram.
A editora descreve a obra como uma reflexão sobre família, resiliência, fé, sobriedade, paternidade e sobre o que significa viver plenamente diante de uma doença terminal, segundo a Parade. O livro tem 304 páginas e sai pelo selo The Open Field, de Maria Shriver, ligado à Penguin Random House.
O que já se sabe e o que falta
Todos os detalhes acima vêm de trechos divulgados antes do lançamento e da cobertura que os reproduziu, não do livro completo. Há pequenas divergências entre os veículos em pontos como o ano do diagnóstico e o título exato em inglês, que aparece como “A Memoir in Moments” na maior parte das reportagens. Por isso, números e datas que aparecem de forma diferente em cada texto ficaram de fora desta matéria.
O que está confirmado nas fontes citadas é o núcleo do relato: o uso de drogas antes da fama, a recaída durante a série, as cinco internações, a conversa com Shonda Rhimes e a data de lançamento. O restante dependerá do que o livro trouxer inteiro, a partir de 3 de novembro, quando as memórias chegam às livrarias dos Estados Unidos. Ainda não há anúncio de edição em português.
Dane morreu em 19 de fevereiro de 2026. Para quem acompanhou Mark Sloan na tela, o livro oferece a versão do ator sobre o que acontecia fora de cena.
Fontes
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