Benito Di Paula morre aos 84 anos e terá velório no Theatro Municipal
Cantor, compositor e pianista de "Retalhos de Cetim" e "Charlie Brown" morreu no domingo (18), em São Paulo, de complicações de um câncer de próstata. A despedida pública acontece na terça-feira (20), e Nova Friburgo decretou luto de três dias
19 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

O cantor, compositor e pianista Benito Di Paula morreu na noite do domingo (18), aos 84 anos, em São Paulo. Ele estava internado no Hospital 9 de Julho e enfrentava havia cerca de um ano um câncer de próstata, doença cujas complicações levaram à morte. A informação foi confirmada à CNN Brasil pela assessoria do artista, que afirmou que os detalhes do velório e do sepultamento seriam divulgados depois. Autor de “Retalhos de Cetim”, “Charlie Brown” e “Mulher Brasileira”, Benito completaria 85 anos em novembro.
Velório no Theatro Municipal será aberto ao público
A despedida terá palco à altura do nome. Segundo o g1 SP, que ouviu a assessoria de imprensa do cantor, o velório será realizado no Theatro Municipal, no Centro da capital paulista, e aberto ao público, para que fãs, amigos e admiradores possam prestar as últimas homenagens. A equipe disse que a família está muito abalada e que horários exatos e sepultamento seriam informados em breve.
O g1 Região Serrana registrou depois que a cerimônia aberta está marcada para esta terça-feira (20). Quem pretende ir deve acompanhar os comunicados da assessoria, porque o horário de abertura e o local do enterro ainda dependem da família.
O mesmo texto traz a informação de que o cantor passou mal na noite de domingo, quando já fazia tratamento contra o câncer de próstata. Não há, até aqui, detalhamento clínico divulgado pela família ou pelo hospital além da causa já informada.
Nova Friburgo decreta luto de três dias
A cidade natal do artista reagiu rápido. A Prefeitura de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, decretou luto oficial de três dias pela morte de Uday Vellozo, nome de batismo de Benito Di Paula, nascido na cidade em 28 de novembro de 1941. Em nota, a administração disse que ele levou o nome de Nova Friburgo “para todo o Brasil e para o exterior” e lembrou que foi no tradicional Hotel Avenida, na cidade, que ele deu os primeiros passos da carreira.
A Sociedade Musical Campesina Friburguense também divulgou nota de pesar. O texto lembra que Benito se proclamava “homem da montanha” em suas canções, referência direta ao samba “Homem da Montanha”, de 1976, uma declaração de saudade da Serra. Em entrevista ao g1 em fevereiro de 2025, ele resumiu a relação com a terra natal: “Nova Friburgo é a minha casa, está no coração”.
O samba de esquema novo e o piano como batucada
Para entender o peso da perda, vale a leitura de Mauro Ferreira, que escreveu o obituário musical no g1. O crítico lembra que Benito nunca se considerou sambista da dinastia de Martinho da Vila e Paulinho da Viola. Preferia se rotular como “sambeiro” e “pianeiro”. O que ele fazia era um samba diferente, o “esquema novo”, em que o piano ganhava função de percussão.
Diplomado, nas palavras do crítico, na escola noturna das boates, Benito descobriu ali que as teclas do piano podiam fazer o papel da batucada. Segundo Mauro Ferreira, esse toque percussivo, com arranjos românticos, antecipou de certa forma o pagode paulista que viria a dominar os anos 1990 com grupos como Raça Negra.
O cantor estreou no mercado fonográfico em 1967 e lançou o primeiro álbum, “Benito Di Paula”, em 1971. O segundo, “Ela”, saiu em 1972 e trouxe o primeiro sucesso, “Violão Não Se Empresta a Ninguém”. O reinado começou de fato em 1973, com o samba-canção “Retalhos de Cetim”, e se estendeu até 1977, com uma sequência que incluiu:
- “Charlie Brown” (1974)
- “Beleza Que É Você, Mulher” (1974)
- “Bandeira do Samba” (1975)
- “Como Dizia o Mestre” (1975)
- “Do Jeito Que a Vida Quer” (1976)
- “Assobiar e Chupar Cana” (1977)
- “Proteção às Borboletas” (1977)
O último grande sucesso nas rádios veio em 1984, com “Amigo do Sol, Amigo da Lua”, parceria com Márcio Brandão Carneiro que foi tema da novela “A Gata Comeu”, da TV Globo, em 1985. Segundo o g1, Benito vendeu mais de 50 milhões de discos, quatro milhões deles só na Europa.
O visual também ficou na memória de quem viveu os anos 1970. Mauro Ferreira descreve o artista dos auditórios de TV com anéis, casacas, colares, gravatas-borboleta, pulseiras e cabelos longos e cacheados.
Longe do mercado, perto do público
A carreira desacelerou nas décadas seguintes. Segundo o crítico do g1, Benito seguiu lançando discos com regularidade até 1996, quando o álbum “Baileiro” passou sem repercussão, e depois só apresentou dois trabalhos com músicas inéditas: “A Felicidade É Nossa” (2017) e “O Infalível Zen” (2021), disco feito para celebrar os 80 anos.
Em 2021, ao falar do álbum com a CNN Brasil, ele fez um desabafo que hoje ganha outro peso. “Eu nunca estive na mídia, quem esteve na mídia foi a minha música”, disse. E acrescentou: “Sofri muita censura da minha própria gravadora”.
Nos últimos anos, a obra passou por reavaliação, com tributos em disco e no Carnaval. Em 2025, a Águia de Ouro, escola de samba de São Paulo, o escolheu como enredo, com o tema “Em Retalhos de Cetim, a Águia de Ouro do jeito que a vida quer”. Benito desfilou, emocionado, em um dos carros alegóricos, ao lado do filho. O carro se chamava “Meu Amigo Charlie Brown”.
O último show, ao lado do filho
O g1 SP lembrou que o último show de Benito aconteceu em 31 de julho deste ano, na Casa Natura Musical, em Pinheiros, na Zona Oeste da capital. O espetáculo “Benito 85” foi conduzido pelo filho, Rodrigo Vellozo, com os músicos Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça, e teve participação especial de Zeca Baleiro. A noite marcou o lançamento de um álbum de dez releituras do repertório do pai. A ficha técnica informa que Benito não participou das gravações como intérprete nem como instrumentista, mas subiu ao palco no show de lançamento.
Rodrigo escreveu na época: “Uma noite inesquecível e emocionante. Lançamos nosso novo álbum e celebramos lindamente a vida e obra do meu pai mais uma vez!”. A relação musical entre os dois vinha de antes, com “O Infalível Zen”. O próprio Rodrigo lançou em 2020 o disco “O Mestre-sala da Minha Saudade”, em homenagem a André, outro filho de Benito, morto em 2019.
Na noite da morte, segundo o Terra, Rodrigo publicou uma foto ao lado do pai com a mensagem “Te amo, papai! Obrigado!”. A publicação recebeu uma enxurrada de mensagens de fãs, que lembraram de pais que acordavam a casa ouvindo as músicas do cantor.
Uma cidade que o artista conheceu por dentro
O g1 SP traz outro detalhe da relação de Benito com a capital paulista. Nos anos 1970, no auge dos sucessos, ele morou no Sumaré, na Zona Oeste, e depois por muitos anos no Morumbi, na Zona Sul, um de seus endereços favoritos. Segundo a assessoria, precisou deixar a casa do Morumbi depois que o imóvel foi desapropriado por obras de expansão do sistema metroviário, e então se mudou para os Jardins. Em 2013, ele e vizinhos da Zona Leste já haviam protestado contra notificações de desapropriação do Metrô para a Linha 15-Prata, que atingia o sítio onde mantinha, havia mais de 30 anos, um estúdio e compunha parte das músicas.
O que vem a seguir
O velório no Theatro Municipal, em São Paulo, abre ao público na terça-feira (20). A família e a assessoria ainda devem divulgar os horários e o local do sepultamento. Nova Friburgo mantém o luto oficial por três dias.
Fontes
Leia também

Iron Maiden em São Paulo: show para 50 mil fãs na noite da eleição

A Fazenda 18: Thaíde vence a Prova do Fazendeiro de geografia e deixa Catherine, Gabriel e Tina na quinta roça
