Nova Carteira de Identidade como documento de viagem: o que o acordo do Mercosul diz e o que levar na fronteira
CIN entrou na lista oficial de documentos de viagem do bloco, mas só vale a versão física. Veja os países citados, as regras para o RG antigo e como tirar a CIN de graça em São Paulo
17 de agosto de 2026 · Atualizado em · 4 min de leitura

A Carteira de Identidade Nacional (CIN) aparece pela primeira vez, com esse nome, na lista de documentos que os países do Mercosul aceitam para a entrada de brasileiros sem passaporte. O texto da Decisão nº 10/26 do Conselho do Mercado Comum, aprovada em Assunção, substitui o Anexo I do Acordo sobre Documentos de Viagem de 2015 e inclui a “Cédula de Identidade Nacional (CIN)” ao lado do RG estadual e do passaporte na coluna do Brasil.
Para quem vai atravessar a fronteira nos próximos meses, a mudança tem efeito menor do que as manchetes sugeriram. O RG tradicional já servia para entrar nesses países e continua servindo. O que a decisão faz é tirar a dúvida de agentes de imigração diante de um documento novo, com outro layout e com o CPF como número único.
Como o acordo foi aprovado
A inclusão passou primeiro pelo Foro Especializado Migratório do bloco e depois foi levada à reunião de ministros da Justiça e do Interior em Assunção, no Paraguai, em 29 de maio. Segundo o Correio, que publicou a nota do Ministério da Justiça em 6 de junho, a pasta informou que “foi assinada a inclusão da CIN brasileira como documento válido para trânsito entre países do bloco”. O ministro Wellington César Lima e Silva disse, segundo o Passageiro de Primeira, que “os cidadãos brasileiros poderão utilizar nossa nova Carteira de Identificação Nacional” para circular pelo bloco.
O texto do acordo modificativo diz que ele entra em vigor 30 dias depois da assinatura. Por isso a previsão de agosto que circulou em junho. Até 13 de outubro, o CityTudo não encontrou comunicado da Polícia Federal ou do Itamaraty com data oficial de início, nem relato de brasileiro barrado na fronteira por apresentar a CIN física.
Quais países entram na conta
As reportagens de junho falam em oito países: Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru. O detalhe que pouca gente leu está no próprio acordo modificativo: quem assina são Argentina, Brasil, Bolívia, Paraguai e Uruguai, como membros do Mercosul, e Chile, como associado. Colômbia, Equador e Peru aparecem no anexo com os documentos que cada um emite, mas não estão entre as partes da alteração.
Na prática, Colômbia, Equador e Peru já aceitavam a carteira de identidade brasileira para turismo por causa do acordo de 2015. Para esses três destinos, quem tiver o RG estadual em bom estado e emitido há menos de 10 anos tem a opção mais segura enquanto não houver confirmação de que a CIN é aceita nos postos de imigração locais. Na dúvida, leve o passaporte.
Para destinos fora dessa lista, o passaporte continua obrigatório
O que levar no dia da viagem
- A CIN física, o cartão impresso. A versão digital do aplicativo Gov.br não vale em controle migratório internacional, conforme esclarecimento do Ministério do Turismo publicado em fevereiro. Sem o documento físico, a companhia aérea pode negar o embarque ainda no Brasil.
- Se for usar o RG antigo, ele precisa estar conservado, com foto que permita reconhecer o portador e emissão há menos de 10 anos. Segundo o mesmo esclarecimento do ministério, RG muito antigo, danificado ou com foto desatualizada pode ser recusado.
- CNH, carteira da OAB, CRM e outras identidades profissionais não servem para entrar nesses países, mesmo sendo aceitas em voos domésticos.
- Menor de idade viaja com documento próprio e, se estiver sem um dos pais ou com terceiros, com a autorização de viagem exigida pela Justiça brasileira.
- A dispensa de passaporte vale para turismo, negócios e trânsito por até 90 dias. Quem vai estudar ou trabalhar segue outras regras de residência.
A CIN não é obrigatória ainda
Em fevereiro, o Ministério do Turismo classificou como falsa a informação de que a CIN já seria exigida no Mercosul. O RG estadual vale até 1º de março de 2032, quando a nova carteira passa a ser o único documento de identidade aceito no país. Até lá, ninguém precisa trocar o documento às pressas por causa de uma viagem marcada.
Como tirar a CIN em São Paulo
A primeira via é gratuita. No estado de São Paulo, o pedido é agendado pelo site ou aplicativo do Poupatempo, com login da conta Gov.br, escolha de unidade, data e horário, e a emissão é presencial, conforme o passo a passo publicado pelo DCI. No atendimento, leve CPF e certidão de nascimento ou de casamento, de acordo com o estado civil. O número da CIN é o próprio CPF.
Quem tem viagem marcada para dezembro ou janeiro precisa contar com a fila de agendamento e o prazo de impressão do cartão. Se a data estiver próxima, o RG antigo em bom estado resolve a entrada nos países do acordo, e o passaporte resolve todos.
Antes de fechar a viagem
A decisão final na fronteira é do agente de imigração do país de destino, e no embarque é da companhia aérea. As duas consultam as regras do país de chegada, não as do Brasil. Para Colômbia, Equador e Peru, confirme o documento aceito no site do consulado do país antes de comprar a passagem. Para Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Chile, signatários da alteração, a CIN física entra na lista oficial assim que o acordo estiver em vigor.


