Brechós online disparam e Brasil já tem 118 mil lojas do tipo ativas
Setor deve movimentar R$ 24 bilhões em 2025 e cresce puxado por Millennials e Geração Z em busca de consumo mais consciente
Camille Duartedo CityTudo17 de agosto de 2026 · 3 min de leitura

O mercado de moda de segunda mão cresce em ritmo bem mais acelerado que o da moda tradicional no Brasil. Somente em 2026 foram abertas mais de 2.500 novas empresas do segmento no país, segundo levantamento da Sebrae-SP citado pelo portal O Hoje, que também aponta um crescimento de 32% no número de estabelecimentos apenas entre 2024 e 2025. O país já soma cerca de 118 mil brechós ativos, alta de quase 31% em cinco anos, de acordo com dados do Sebrae reunidos pelo Conselho Federal de Administração, um crescimento que coloca o setor entre os mais dinâmicos do varejo de moda nacional.
Quem está puxando a mudança
O setor deve movimentar R$ 24 bilhões em 2025, segundo dados divulgados pela própria Agência Sebrae de Notícias, num cenário de inflação, preocupação ambiental e busca por autenticidade. A mesma reportagem cita um estudo da consultoria Boston Consulting Group segundo o qual roupas de segunda mão já representavam 12% do guarda-roupa dos brasileiros em 2024, fatia que a projeção da consultoria estima que possa se aproximar de 20% nos próximos anos. Millennials e Geração Z lideram esse comportamento de compra mais consciente, tratando a economia circular como alternativa sustentável e financeiramente vantajosa.
Consumo consciente impulsiona a moda circular
Do brechó de bairro ao aplicativo
Parte do crescimento recente do setor vem da migração de brechós físicos, antes restritos a bairros específicos, para plataformas digitais que ampliam o alcance geográfico das vendas. Aplicativos especializados em revenda de roupas permitem que qualquer pessoa transforme o próprio guarda-roupa em fonte de renda, o que ajuda a explicar tanto o salto no número de novas empresas quanto a diversificação do perfil de quem vende. Só o estado de São Paulo concentra cerca de 7 mil lojas do segmento, incluindo brechós formalizados como Microempreendedores Individuais, número que já era cerca de 50% maior do que em 2019, segundo o mesmo levantamento da Agência Sebrae de Notícias.
Essa digitalização também mudou o perfil de quem vende. Antes concentrado em lojistas que compravam peças para revender, o mercado passou a incluir cada vez mais pessoas físicas que usam aplicativos de revenda como fonte de renda extra, esvaziando o próprio guarda-roupa parado em casa. Esse movimento ajuda a explicar por que o crescimento do setor aparece tanto no número de empresas formalizadas quanto na quantidade de vendedores individuais ativos nessas plataformas, um público que segue outra lógica de negócio, mais próxima do brechó ocasional do que da loja especializada com estoque fixo.
O que vem pela frente
Analistas do varejo de moda apontam que a tendência de crescimento deve se manter nos próximos anos, à medida que mais marcas tradicionais passam a incorporar linhas de revenda ou parcerias com plataformas de segunda mão, movimento que já é realidade em mercados como Estados Unidos e países da Europa e começa a ganhar força também no Brasil. No cenário global, o 14º Relatório Anual de Revenda da ThredUp projeta que o mercado mundial de moda de segunda mão chegue a US$ 393 bilhões até 2030, crescendo em ritmo duas vezes mais rápido que o mercado de vestuário como um todo, com Millennials e Geração Z respondendo por boa parte desse avanço. Esse padrão internacional ajuda a explicar por que tantos brechós brasileiros vêm migrando ou se expandindo para o digital.


