iPhone Duo entra em pré-venda no Brasil a partir de R$ 21.999
Primeiro dobrável da Apple custa até R$ 30.999 na versão de 2 TB e chega às mãos dos compradores em 23 de outubro, no mesmo mês em que a empresa voltou a valer US$ 5 trilhões
Felipe Tanakaassinatura editorial do CityTudo16 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

O iPhone Duo, primeiro celular dobrável da Apple, entrou em pré-venda no Brasil nesta sexta-feira (16). O aparelho aparece no site da empresa por até R$ 30.999 e será entregue a partir de 23 de outubro, segundo o g1. O teto de preço vale para a versão com 2 TB de armazenamento. O modelo de entrada sai por R$ 21.999.
A estreia acontece em um momento incomum para a fabricante. Dois dias antes do início da pré-venda, a Apple fechou o pregão em Nova York avaliada em mais de US$ 5 trilhões, e na mesma semana foi acusada por um rival de aproveitar segredos de outra empresa para desenhar produtos novos. O dobrável é a peça mais visível de uma companhia que troca de comando e tenta provar que continua inovando.
Quanto custa cada versão do iPhone Duo
Reportagens publicadas desde o anúncio do aparelho, em setembro, listam quatro faixas de preço no Brasil, conforme a capacidade de armazenamento:
- 256 GB: R$ 21.999
- 512 GB: R$ 23.499
- 1 TB: R$ 26.499
- 2 TB: R$ 30.999
Quem escolhe a versão mais cara paga R$ 9 mil a mais que o comprador do modelo básico, e a diferença está só na memória de armazenamento. Nos Estados Unidos, o preço inicial é de US$ 1.999. Com o dólar comercial perto de R$ 5,07, cotação que o próprio g1 exibe em suas páginas, a conversão direta daria algo em torno de R$ 10,1 mil. O preço brasileiro fica em mais que o dobro do valor americano convertido. Esse é um cálculo simples do CityTudo, que não separa quanto da diferença vem de impostos de importação e quanto vem da margem da empresa.
Há divergência sobre as condições de pagamento. Uma das reportagens menciona parcelamento em até 12 vezes sem juros, o que na versão de 256 GB daria R$ 1.833,25 por mês, e desconto de 10% no pagamento à vista. Outra ressalva que essas regras são as gerais da loja da Apple e que a empresa não confirmou que valem para o Duo na pré-venda. Antes de fechar a compra, confira as condições no carrinho do site oficial.
O que o dobrável da Apple entrega
Segundo o g1, o iPhone Duo tem tela externa de 5,4 polegadas e tela interna de 7,6 polegadas, cerca de 80% maior que a do iPhone 18 Pro, de acordo com a própria Apple. A dobradiça tem 100 peças, a carcaça é de titânio e a tela interna recebeu uma textura para atenuar o vinco que costuma aparecer em dobráveis.
A parte de trás tem duas câmeras de 48 megapixels. Há uma câmera de 12 megapixels na área externa e outra, escondida quando não está em uso, para chamadas de vídeo. O processador é o A20 Pro, o mesmo dos iPhone 18 Pro e Pro Max, que já estão à venda desde setembro. O celular tem certificação IP68 contra respingos, água e poeira e proteção Ceramic Shield na tela.
Duas escolhas chamam atenção. A primeira é o retorno do Touch ID, o leitor de impressão digital, que a Apple havia deixado de lado nos iPhones convencionais em favor do Face ID. Com o formato dobrável, a empresa voltou ao sensor no botão lateral. A segunda é o suporte exclusivo a eSIM, sem entrada para chip físico, como já acontece no iPhone Air, modelo compacto de 2025. A Xataka Brasil cita ainda 12 GB de RAM e estrutura da dobradiça em titânio grau 5. As cores informadas pelo g1 são branco-estrela e céu noturno, mas outros sites citam nomes diferentes, então vale conferir na loja.
A tela externa serve para consultas rápidas. No modo de espera, ela pode funcionar como despertador, porta-retratos ou painel de previsão do tempo. Aberto, o aparelho permite colocar uma apresentação e uma chamada de vídeo lado a lado, uso que a Apple vende como argumento de produtividade.
Samsung e Huawei saíram na frente
O g1 lembra que o iPhone Duo marca a entrada da Apple em um segmento que Samsung e Huawei já exploram há anos. A fabricante chega tarde, com preço de topo e o apelo de um ecossistema que prende o usuário de iPhone. Resta saber se isso basta para convencer quem hoje avalia um dobrável de outra marca. Comparativos entre o Duo e o Galaxy Z Fold8, por exemplo, já circulam em sites de preço, o que indica que o consumidor brasileiro vai colocar os dois lado a lado.
Um aparelho de R$ 22 mil a R$ 31 mil também limita o público. Ele não é concorrente direto dos iPhone 18 Pro, e sim um produto de vitrine, que serve para reforçar a imagem da marca e testar a aceitação do formato. A Apple não divulga vendas por modelo, então os primeiros sinais virão da fila de entrega depois de 23 de outubro e do ritmo de esgotamento das versões.
Apple de US$ 5 trilhões e CEO novo
Na quarta-feira (14), as ações da Apple subiram cerca de 0,5% e a empresa encerrou o pregão acima de US$ 5 trilhões em valor de mercado pela primeira vez. Ela já havia tocado a marca durante o pregão, mas recuado antes do fechamento. Com isso, se isolou como a segunda empresa mais valiosa do mundo, atrás da Nvidia, a única que havia fechado um dia acima desse patamar até então. O BP Money informa que o papel fechou a US$ 342,96, com capitalização de US$ 5,005 trilhões.
O g1 atribui a alta à demanda por iPhone, Mac mini e iMac, que passaram a ser oferecidos por programas de assinatura nos Estados Unidos. Há um pano de fundo de troca de comando. Tim Cook deixou o cargo de CEO depois de 15 anos, e John Ternus, que chefiava a engenharia de hardware, assumiu. Segundo a Bloomberg, citada pelo g1, Ternus quer mais foco em engenharia, uma estrutura mais enxuta, com menos gerentes intermediários, e lançamentos mais frequentes, fora do calendário concentrado em setembro.
Analistas ouvidos na cobertura de julho do InvestNews alertaram que a Apple pode ser obrigada a subir preços de iPhone para compensar o custo maior dos chips de memória e uma demanda mais fraca por smartphones. O preço do Duo, que sobe de forma acentuada conforme a memória, vai na direção contrária da promessa de lançar mais rápido e mais barato.
A briga com a OpenAI
Na quinta-feira (15), a OpenAI acusou um ex-funcionário de ter transferido para uma conta pessoal mais de 100 arquivos da empresa sobre um aparelho ainda não lançado, segundo o g1. A acusação consta de documento entregue a um tribunal federal em San Jose, na Califórnia. A OpenAI diz que ele apresentou o projeto à direção da Apple meses atrás e cita o lançamento do HomeView, nesta semana, como exemplo de produto de IA que a Apple agora desenvolve.
A Apple respondeu que tem políticas para impedir que novos funcionários usem informações confidenciais de empregadores anteriores e que não encontrou evidências que sustentem a acusação. O embate é a continuação de uma disputa que começou em julho, quando a Apple pediu uma liminar contra a OpenAI em um processo sobre segredos comerciais envolvendo dois ex-funcionários.
O que vem a seguir
A entrega dos primeiros iPhone Duo comprados na pré-venda começa em 23 de outubro. A partir daí, as análises de quem testar o aparelho por mais que alguns dias vão mostrar se a textura da tela interna reduz mesmo o vinco e como o celular se comporta no dia a dia. As ações da Apple e o andamento do processo contra a OpenAI são os outros dois pontos a acompanhar nas próximas semanas.


